2 -Atividades desenvolvidas
O Intervalo Interativo é espaço criado para todo tipo de debate que possa interessar os conselheiros e tenha um mínimo de relação com as drogas. Foi uma página bastante acessada com inúmeros fóruns de assuntos variados. Aos tutores era proibida a participação, como meio de assegurar uma imagem “neutra” a SEAD e SENAD nestas discussões que fugiam aos modelos para distribuição massiva e mesmo porque haviam tutores com respostas tão prontas que a discussão das apostilas interpretava como lhe convinha.
Ao vasculhar entre os links do intervalo interativo encontrei inúmeros fóruns, entre os quais me interessei por alguns criados por S.A., Seropédica-RJ. Suas postagens envolvem uma perspectiva oposta a repressão contra drogas ilícitas e o tráfico, com propostas de desenvolvimento de um sistema penal que leve em conta o indivíduo-histórico, ao contrário do que apresenta como criminalização seletiva, o encarceramento dos pobres pelo narcotráfico, sistema o qual fora criado por interesses das classes dominantes para contenção dos fatores que lhe soam(vam) ameaçadores. Suas propostas de desmistificação das drogas criaram debates nos quais fora recorrentemente contrariado e rechaçado.
3 – Discussão
No Brasil, as drogas mais consumidas tem sido a maconha, cocaína e o crack. A regularidade com que tem sido consumido o crack, o aumento de sua circulação, a preços baixos, prendeu a atenção da mídia e da saúde pública. Um montante de terror e negligência correu degustando o senso-comum, devolvendo uma vasta imagética de seres “demonizados” pelo uso do crack, afastando o conhecimento, envolvimento e desenvolvimento de ações responsáveis com um processo saudável aos indivíduos. O conhecimento disseminou-se em imagens aterrorizantes que afastam o reconhecimento dos problemas essenciais. O saber-comum fora empapuçado de preconceitos e inviabilizado de agir a caminho de uma mudança de paradigmas, capaz de deslocar o foco dos quadros de problema social das drogas numa imagem lúcida de desmoralização criando baseado em uma problemática de saúde e concentração de renda, menos devastador que a violência do tráfico ou/e seu extermínio.
4 - Avaliação das atividades
Como S. A. comentou em várias de suas postagens, boa parte dos conselheiros parecem não ter lido a apostila ou compreendido pouco o que envolve, e pode desenvolver futuramente, a Redução de Danos.
A prática de redução de danos preconiza a investigação e o especifico, possibilitando deste ponto o surgimento de políticas outras que intencionem a diminuição das ações maléficas da droga e da drogadição na sociedade.
O individuo capacitado para atuar com redução de danos há de estar despido de preconceitos e atento. Seu ponto de partida e de contato com o usuário é dialogando sobre o uso, a partir daí faz-se análise de um possível meio de mudança, mapeando motivos que possam vir primeiro ao uso das drogas por si.
O crack por ser uma droga barata e, ainda que rápida e superficialmente, prazerosa tem se disseminado com maior intensidade nos grupos de baixa renda ou quase nenhuma, como moradores de rua.
O fórum selecionado projetou um debate sobre a legalização das drogas como possibilidade de mudança social, por meio do reconhecimento das classes baixas, transformação dos índices de violência pelo tráfico, responsáveis por mais vitimas que o uso da droga, percepção dos motivos reais que levam ao uso das substâncias, como no caso das crianças em situação de rua. O grande mal é afastar da demanda governamental políticas que conheçam e desenvolvam ações voltadas para a realidade dos sujeitos que pousam nas ruas e passam parte, ou quase toda, sua vida ali. A causa de sua situação raramente tem sido o uso de drogas, são apenas conseqüências. O que será mais urgente, combater a miséria ou crack?
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